E mais uma vez, eu errei...
Eu quis escrever com calma, sem pressa e sem cobranças, só para colocar em palavras o que ainda está aqui dentro. Nos últimos anos, vivi um relacionamento em que me cobrei demais para entregar o meu melhor. Tirei de mim o máximo para o único amor da minha vida.
Talvez esse tenha sido o meu maior erro: confundir amor com perfeição. Por mais que esse esforço me fez crescer, amadurecer e me tornou alguém melhor em muitos aspectos, também virou uma bola de neve. Eu me perdi tentando acertar o tempo todo e, no meio disso, errei de um jeito que doeu em nós dois.
Não houve traição, desconfiança ou qualquer coisa assim. Ainda assim, eu me sentia vazio e sozinho. Faltava amor-próprio, faltava reciprocidade, faltava carinho nas horas simples. Eu olhava para mim e não me reconhecia. Às vezes penso que, quando errei, foi sempre tentando ser uma pessoa melhor para você. E terminar foi, talvez, uma tentativa desesperada de ser um pouco melhor para mim. Quando finalmente olhei para dentro, entendi que é possível ser eu ao lado de quem compartilhei uma parte da vida e que, com entendimento e respeito, poderíamos ter dado certo. Mas essa compreensão chegou tarde.
Hoje me pego sentado em frente ao computador, chorando em silêncio, lembrando de como tentei ser impecável. No primeiro tropeço, não encontrei caminho de volta, nem tive espaço para me explicar. Eu sei que parte disso veio da minha própria autocobrança, das paranoias que inventei na cabeça, e outra parte foi do nosso jeito de lidar com os erros, por mais que sempre houve muita escuta e reciprocidade, tambem havia uma sensação de que não havia lugar seguro para falhar e recomeçar.
Eu não escrevo para reabrir feridas, nem para pedir nada. Escrevo porque devo a nós dois a honestidade de registrar o que foi verdadeiro. Houve risos em dias comuns, planos bobos que aqueciam a alma, mensagens que mudavam o rumo de uma tarde, dedicação em dias de cansaço. Houve cuidado. Houve amor. E, se em algum momento ele se perdeu na pressa e no desejo de acertar, ainda assim ele existiu.
Se eu te feri com minhas tentativas tortas de acertar, me perdoa. Eu assumo a pressa, a ansiedade, a necessidade de controlar o que nunca esteve nas minhas mãos. Estou aprendendo a aceitar o que a vida oferece e o que ela leva, a diferenciar o que posso mudar do que preciso deixar ir. Parte do meu caminho agora é reaprender a ser gentil comigo, para um dia poder ser gentil com o outro sem me abandonar.
Não espero resposta. Queria apenas que soubesse que, se eu amei alguém, esse alguém foi você. E que muitos dos meus erros aconteceram no esforço de acertar, até mesmo quando pedi o término. Do mais profundo desejo da minha alma, anseio que você encontre alguém que te faça rir alto, que te escute de verdade, que te abrace nos dias bons e, principalmente, nos dias difíceis. Alguém que cuide de você do jeito que eu, infelizmente, não consegui.
Eu tento seguir em frente com gratidão, amor e carinho pelo que a gente viveu. Guardo o que foi bonito, aprendo com o que doeu e tento deixar o resto ir. Se um dia nossas rotas se cruzarem de novo, que seja com leveza, respeito e paz. Até lá, fica bem xuxu. E obrigado, por tudo que fomos e por tudo que me ensinou.